França, Paris, 15 de janeiro de 1934.
Querido,
Escrevo-te com pressa, preciso ser muito breve. Como já imaginas estão a minha procura... Mas acho que dessa vez dificilmente me encontrarão, estou bem refugiada em um porão, na casa abandonada dos Legrand. Você deve saber onde é aquela com grandes colunas de mármore e um jardim cheio de gardênias, bem, sem as gardênias agora. Os Legrand sumiram do mapa, foram interrogados pelo Füher, provavelmente torturados.
Cuspo na "democracia" francesa que expõe tanto seu povo a interesses alemães! Enfim, escrevo-lhe não com o fim de fazer reclamações políticas, mas sim com o fim de lhe enviar noticias esplendidas.
Recebi a pouco um postal de Mariet, vim então a concluir que seria o nome usado pela nossa menina. Voltei a dormir a noite, as trevas da escuridão já não me assombram mais, já que sei que nossa pequena está a salvo, que a mais de um ano vem usando o mesmo nome, já possui até documentos... Ela diz que não levantou um misero dedo de suspeita.
Alegro-me em dizer que logo você poderá unir-se a ela, aposto que você está morrendo, morrendo de saudades, ela mesma aposta, disse-me isso em seu postal.
Ah, tenho que lhe pedir um ultimo favor, o ultimo dos últimos... Diga a nossa querida menina que eu a amo, e estarei esperando-a sentada na trigésima nuvem à direita, depois da colina de cristais.
Abrace-a por mim.
Com carinho e amor, D.

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